
Se você algum dia já foi para uma cabine de cinema, com certeza sabe que esse evento é um antro de gente esnobe. Mas um esnobe com classe, narizes empinados com todo o cuidado e descrição. Pessoas de cachecol, combinações de roupas estranhas, boinas e acessórios modernos, dando beijinhos estalados e sorrisos bem abertos falando: “Acabei de voltar de Nova York”, “Tenho que sair correndo daqui para cobrir o São Paulo Fashion Week”, “O que você achou de ‘Persona’ do Bergman?”, “Ai, aquela cabine foi tãoooooo comercial” e outras coisas que só a esfera comercialmente cult de nossa cidade pode produzir.
Já participei de muitas dessas cabines, mas nunca de uma cabine para uma série de televisão que iria estrear na semana seguinte – ossos do ofício atual. Como sempre, cheguei no local, assinei a listinha de imprensa e fiquei silenciosamente sendo analisado pelos meus colegas de trabalho. O assessor responsável pela sessão disse que podia me servir de qualquer coisa da lanchonete por conta da casa. Olhei em volta e notei todos apenas segurando suas águas e alimentando seus estômagos com cigarros Calton e expressos de máquina. Eu, como não ligo para opinião desse tipo de gente... Pedi também uma água e deixei o barulho da minha fome ressoar enquanto encarava um apetitoso bolo de chocolate que poderia ser meu – por conta da casa. Ou eu fazia o esfomeado, ou fazia um networking básico. No final, nenhum dos dois aconteceu.
Isso porque a dinâmica dessas cabines é bem delineada. Você só fala com quem você conhece ou pelo nome da pessoa e do veículo que ela trabalha – sorte que não saio por aí usando crachá de mero escraviário, de outra forma nem o assessor teria conversado/ me paquerado.
A série chama-se Em tratamento. Assistimos os dois primeiros episódios que começam a passar a partir da segunda (dia 12) na HBO e mostra o dia-a-dia do psicanalista Paul e as sessões com seus mais diversos pacientes. A premissa da série – que obviamente não assistimos por completo – é que cada dia da semana corresponde a uma sessão com um de seus pacientes e na sexta é o dia do próprio Paul chorar suas pitangas com sua terapeuta Gina. Isso num estilo similar ao de 24 Horas, ou seja, Paul é o Jack Bauer da psicanálise – sem as armas, as intrigas políticas e conspirações.
Os dois primeiros episódios têm muito de sexo – mas nada de flashback para ilustrar, cambada de tarado, todos os episódios acontecem no consultório de Paul – e é impossível não dar umas risadinhas com alguns dos relatos dos dois primeiros pacientes. Laura, a de segunda, é uma mulher que se revoltou com a chantagem do namorado para que os dois se casassem logo, encontrou uma amiga, se produziu toda e se jogou na buatchy! Mas como bebida nunca é demais e sempre é proporcional à magnitude do erro, ela acabou no banheiro com um cara com um enoooooooorme.... “Vocabulário”. Só que foi só ouvir um cara da cabine ao lado peidar tirando água do joelho, que Laura não conseguiu terminar o serviço – porque lembrou que o namorado faz o mesmo barulho. Ficou só na mão amiga mesmo. Na hora é bem degradadente e a atriz se debulha em lágrimas e fala um yata yata yata quero ganhar um Emmy yata yata yata, mas quem não daria uma risadinha quando ela fala que ao tocar no “vocabulário” do cara era como se estivesse tocando for the first time – se joga Madonna.
O paciente da terça é Alex, um piloto de aviões que não gosta de se responsabilizar pelos seus atos e é aquele típico homem presunçoso que acaba se quebrando e chorando até o fim da série. Só que no meio da conversa ele menciona um amigo gay, parceiro de corridas, e ai todo mundo presente já acha que o negão gosta de pegar num manche.
Já participei de muitas dessas cabines, mas nunca de uma cabine para uma série de televisão que iria estrear na semana seguinte – ossos do ofício atual. Como sempre, cheguei no local, assinei a listinha de imprensa e fiquei silenciosamente sendo analisado pelos meus colegas de trabalho. O assessor responsável pela sessão disse que podia me servir de qualquer coisa da lanchonete por conta da casa. Olhei em volta e notei todos apenas segurando suas águas e alimentando seus estômagos com cigarros Calton e expressos de máquina. Eu, como não ligo para opinião desse tipo de gente... Pedi também uma água e deixei o barulho da minha fome ressoar enquanto encarava um apetitoso bolo de chocolate que poderia ser meu – por conta da casa. Ou eu fazia o esfomeado, ou fazia um networking básico. No final, nenhum dos dois aconteceu.
Isso porque a dinâmica dessas cabines é bem delineada. Você só fala com quem você conhece ou pelo nome da pessoa e do veículo que ela trabalha – sorte que não saio por aí usando crachá de mero escraviário, de outra forma nem o assessor teria conversado/ me paquerado.
A série chama-se Em tratamento. Assistimos os dois primeiros episódios que começam a passar a partir da segunda (dia 12) na HBO e mostra o dia-a-dia do psicanalista Paul e as sessões com seus mais diversos pacientes. A premissa da série – que obviamente não assistimos por completo – é que cada dia da semana corresponde a uma sessão com um de seus pacientes e na sexta é o dia do próprio Paul chorar suas pitangas com sua terapeuta Gina. Isso num estilo similar ao de 24 Horas, ou seja, Paul é o Jack Bauer da psicanálise – sem as armas, as intrigas políticas e conspirações.
Os dois primeiros episódios têm muito de sexo – mas nada de flashback para ilustrar, cambada de tarado, todos os episódios acontecem no consultório de Paul – e é impossível não dar umas risadinhas com alguns dos relatos dos dois primeiros pacientes. Laura, a de segunda, é uma mulher que se revoltou com a chantagem do namorado para que os dois se casassem logo, encontrou uma amiga, se produziu toda e se jogou na buatchy! Mas como bebida nunca é demais e sempre é proporcional à magnitude do erro, ela acabou no banheiro com um cara com um enoooooooorme.... “Vocabulário”. Só que foi só ouvir um cara da cabine ao lado peidar tirando água do joelho, que Laura não conseguiu terminar o serviço – porque lembrou que o namorado faz o mesmo barulho. Ficou só na mão amiga mesmo. Na hora é bem degradadente e a atriz se debulha em lágrimas e fala um yata yata yata quero ganhar um Emmy yata yata yata, mas quem não daria uma risadinha quando ela fala que ao tocar no “vocabulário” do cara era como se estivesse tocando for the first time – se joga Madonna.
O paciente da terça é Alex, um piloto de aviões que não gosta de se responsabilizar pelos seus atos e é aquele típico homem presunçoso que acaba se quebrando e chorando até o fim da série. Só que no meio da conversa ele menciona um amigo gay, parceiro de corridas, e ai todo mundo presente já acha que o negão gosta de pegar num manche.
A série é cativante porque você não nota o tempo passar mesmo sem a utilização de outros recursos narrativos – aqui tudo depende do roteiro e da atuação dos atores. Os dois primeiros pacientes conseguem manter atuações consistentes, e as mudanças no ângulo da câmera são rápidas e precisas. A entrada e música da série também se encaixam perfeitamente. Mas será que alguém vai agüentar essas pessoas falando dos seus problemas por quarenta e poucos dias sem encher o saco? Vai ter uma hora que até o Paul mesmo vai falar “Cala boca e senta aqui no meu divã, vai?”.

Um comentário:
premier nunca é de mais não é?
bom saber das novidades, se bem que eu só fui assistir mens in tree (pela primeira vez) hoje de madrugada...enfim gostei, gostei.
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