São Paulo, cinza e fria nesses dias de junho. Uma população de solteiros que ultrapassa minha imaginação e um número ainda maior de corações partidos. Em uma cidade tão grande, mesmo com todos os avisos piscando em néon é inevitável que a maioria – ou talvez minoria – de nós se deixe levar pela possibilidade de um relacionamento sério. Mas sempre descobrimos, quase que inevitavelmente, que possibilidades morrem sendo apenas possibilidades. E nesse cenário desanimador, sem perspectivas ou prognósticos positivos, eu não pude evitar de me perguntar: Será que realmente estamos fadados a ter apenas duas escolhas? Sofrer em busca de um relacionamento ou apenas nos resignar a uma vida solitária?
Sim queridos, Sex and the City está nas grandes telas, e eu como fã inveterado do quarteto de fabulosas – não tão solteiras – amigas de Manhattan, tive de assistir o longa logo no dia de estréia, acompanhado de um amigo imparcial, que nunca acompanhara a série, para me trazer a realidade sempre que exagerasse nos meus arroubos de nostalgia.
Isso porque a série acabou há quatro anos e desde então venho satisfazendo minha vontade por mais com maratonas regulares da série, sempre me fazendo a mesma pergunta que terminou o primeiro parágrafo. Por que se você não notou, a série deveria ser chamada de Relationships and the City mais do que qualquer outra coisa, mas acho que não teria tanto apelo quanto sexo.
O filme foi sim um grande revival, mais que pecava por faltar algo. Algo que imortalizasse o filme como algo mais do que um extenso episódio – senso comum que vem sendo utilizado de forma recorrente na maior parte das críticas feitas ao longa. Li muitas matérias sobre SATC e nenhuma delas me preparou para a pontinha de decepção que senti quando o filme acabou com as meninas apenas bebendo cosmopolitans como se fosse uma merda de episódio qualquer.
Ta, tenho que admitir que quase chorei quando Carrie foi deixada ao altar e espancou Mr.Big com o buquê depois de encontrá-lo na rua tentando se desculpar. Mas de resto só isso. E sinceridade mesmo? Queria que uma das quatro morresse. Eu sentia que isso era necessário. E li muitos rumores de que algo do gênero aconteceria. E quando descobri que Charlotte ficaria grávida, tinha certeza: a princesa York morreria no parto deixando todos os fãs chocados, desolados, inchados de tanto chorar e eternizaria o filme para sempre. Mas não, olha o spoiler, isso não acontece... Nem de perto.
E quem impressiona mesmo é senhora Kim Cattrall, que não só é responsável por maioria das risadas, como também por protagonizar uma possível resposta para o meu questionamento desse texto. Ela acaba se deixando levar pelo seu relacionamento com Smith e se descuidando das suas necessidades pessoais. Ela cria uma pança de tanto comer, gente! Samantha Fucking Jones de barriguinha! Até que ela deixa o loirão gostosão para viver sua vida, mesmo que sozinha.
A possível resposta seria essa: porque viver em função de um relacionamento quando mais importante é viver em função de você. Narcisista e egoísta, talvez. Mas ninguém agüenta ser pisado muitas vezes. E é bem provável que você encontre alguém mais facilmente depois que você conseguir um equilíbrio consigo mesmo. Carência e desespero destroem nosso bom julgamento não é mesmo – e vodka também. Conversei com um desconhecido sobre isso e ele afirmou que odiou o que fizeram com Samantha, porque ela acaba sozinha quando todo mundo achou seu par! Desde quando você precisa está do lado de alguém para estar feliz? Samantha representava ali the ultimate single gal, título que sempre foi dado a Carrie, uma carente, dramática, sempre à procura de um relacionamento para se tornar completa.
Como meu amigo imparcial pode comprovar o filme não é feito apenas só para fãs. Ele por exemplo, ao contrário de mim, adorou o filme! Vai entender... E ainda continuo batendo o pé dizendo que não gosto da Jennifer Hudson que faz o papel de assistente da Carrie. Totalmente dispensável.
Para os viados e mulheres: ainda dá pra assistir um ator super gostoso “pagando pintinho” – sendo que pintinho não faz juízo ao que realmente ele paga.
Quanto a mim, o filme apenas reforçou a idéia de que estou bem sozinho e escrevendo. Metas para esse ano: me tornar uma mistura de Miranda e Samantha. Resumindo, um workaholic decidido, que sabe o que quer e não aceita desaforo de ninguém. E que também sabe aproveitar um bom sexo de vez em quando.
domingo, 8 de junho de 2008
No more Carrie
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